sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Teologia da prosperidade e a doença


Nos dias de hoje é notável o crescimento de pregações que priorizam a riqueza e a saúde a qualquer custo. Porém surge uma questão a ser resolvida diante destas perguntas: “o crente pode ficar doente ou morrer devido a alguma doença?”. Certamente muitos de forma enfática diriam “não”, mas muitos outros diriam “sim”, pois buscam entender o que a Bíblia ensina sobre esta questão. Os que dizem “não’ se fundamentam em suas próprias definições, usando a Bíblia como pretexto para defender suas idéias mirabolantes, baseando-se em uma teologia que afirma que o crente deve se apropriar dos benefícios do texto de Isaias 53.4-5 e que o crente “verdadeiro” nunca deveria contrair qualquer doença, usando textos fora de seus contextos, algo totalmente inaceitável para uma hermenêutica saudável, como uma frase muita conhecida “um texto sem contexto é um pretexto para heresia”. Devido ao crescimento absurdo de tal teologia no Brasil nas últimas décadas, se faz necessário entender de forma resumida como ela surgiu e quais são seus fundamentos, porém neste texto o objetivo é destacar a questão da doença conforme os defensores desta teologia acreditam e o que a Bíblia diz.

O surgimento da teologia da prosperidade
A teologia da prosperidade surge através de Essek William Kenyon que nasceu em 24/04/1867, Saratoga, Nova York, EUA, falecendo em 19/03/1948. Conforme Pierrat, ele tinha pouco conhecimento teológico e tinha afinidade com Mary Baker Eddy, fundadora da seita herética “Ciência Cristã”, que afirma que doença e a matéria não existem, simplesmente tudo depende da mente. Kenyon pastoreou igrejas batistas, metodistas e pentecostais, mas depois desligou –se dessas igrejas não tendo acordo com nenhuma delas. Sofreu influências das seitas metafísicas (além da física) como ciência de mente, ciência Cristã e Novo pensamento, que é precursor do “Movimento da fé”, que diz que tudo que você disser e pensar se tornará realidade, o poder da mente. Desenvolveu seus ensinos nos anos 30 a 40. Logo após vem seu discípulo Kenneth Haggin, autor de vários livros publicados no Brasil, tendo como ensino a chamada confissão positiva, entendendo que se pode obter tudo de Deus desde que confessando em voz alta, não duvidando da obtenção da resposta. Sofreu criticas dos seus escritos por serem muito parecidos com os livros de Kenyon, mas sempre se defendeu dizendo que não era plágio e sim revelações diretas de Deus como o mesmo conteúdo. Porém nem mesmos os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, apesar de serem semelhantes não são idênticos. Outro nome referente a tal teologia é Keneth Coopeland, seguidor de Haggin, que certa vez disse que “Satanás venceu Jesus na Cruz” (Hanegraaff, pg. 36). Porém um nome muito conhecido no Brasil é Benny Hinn, que fez muito sucesso quando esteve por aqui e também devido aos seus livros. Benny diz também ter tido uma revelação de Deus de que as mulheres originalmente deveriam dar à luz pelo lado de seus corpos e que Jesus “... assumiu a natureza de Satanás, para que todos quantos tinham a natureza de Satanás pudessem participar da natureza de Deus”. Tal declaração se encontra no trabalho crítico de Hank Hanegraaff, Cristianismo em Crise, editado pela CPAD (p. 36, 166). Estes são alguns nomes conhecidos dos defensores da teologia da prosperidade, vejamos agora alguns pontos que eles se baseiam que devemos entender.

Fundamentos

1. Autoridade espiritual - Profetas. Segundo Kenneth Hagin, Deus tem dado autoridade, isto é uma “unção” especifica aos profetas dos dias atuais com a mesma autoridade que tinham os profetas no Antigo Testamento e diz receber revelações diretas do Senhor. Porém é certo que o ministério profético do Antigo Testamento durou até João Batista (MT. 11.13). Ser profeta nos dias atuais é ser ministros da Palavra (Ef. 4.11) e o dom da profecia (I Cor. 12.10) é diferente da autoridade profética do A.T.

2. Autoridade das revelações. Acreditam ter total autoridade das revelações baseadas em “experiências” como, visões, profecias, entrevistas com Jesus, curas, nuvens de glória, etc. E dizem que quem rejeitar seus ensinos “serão atingidos de morte, como Ananias e Safira” (Pierratt, p. 48).

3. Homem são deuses. Diz Haggin: "Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi..." (Hagin, Word of Faith, 1980, p. 14). "Você não tem um deus dentro de você. Você é um Deus" (Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56)

4. O cristão não deve adoecer. Ensinam que todo o cristão deve esperar viver 70 ou 80 anos, ainda mais sem dor e sofrimento, quem for acometido de alguma doença é porque não reivindica os seus próprios direitos diante de Deus ou porque não tem fé (Pierrat, p.135). O texto de Isaias 53 é algo absoluto, sendo assim não existe mais doença para o crente, pois fomos sarados. (Detalharemos este ponto mais adiante).

5. O Cristão não pode ser pobre. Os discípulos de Haggin, acentuam que o cristão deve ter casa nova própria (é inadmissível morar em casa alugada), deve se vestir com as melhores roupas, vivendo uma vida luxuosa. Porém a Bíblia não enaltece a riqueza, mas também não a proíbe, desde que esta seja adquirida de forma honesta. Mas o apóstolo mais uma vez nos ensina o que aprendeu, isto é, contentar-se em todos as situações (Fp. 4.11,12; I Tm. 6.8). O nosso Cristo em nenhum momento pregou prosperidade as pessoas, mas somente o reino de Deus, enfatizando que estes deveriam ouvir suas palavras (João 15.7). Também disse que a vida não se constitui de riquezas (Lc. 12.15). Após Jesus os apóstolos não foram pessoas ricas, nem possuíam extraordinários bem materiais, por saberem do perigo das riquezas (I Tm. 6.7-10).
São muitos os absurdos que os defensores da teologia da prosperidade acreditam, sendo totalmente deturpações bíblicas e fantasias da mente humana. Neste momento focaremos a seguinte questão, “o crente pode ficar doente”? Vejamos:

O ser humano é mortal
Certamente o homem não foi criado para morrer fisicamente, foi criado para viver eternamente, mas devido ao pecado pelo fato de ter ouvido a serpente a humanidade sofreu a conseqüência, isto é a morte, “Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte a terra visto que dela foi tirado: porque você é pó e ao pó voltará” (Gênesis 3.19). A morte física é uma doença, envelhecer também é uma doença. Segundo os médicos, o ser humano nasce e tem sua trajetória até por volta dos 35/40 anos de forma crescente, ou seja, no ápice físico. Porém a partir daí começa outra trajetória, a decrescente na qual chega a morte, chamada “morte natural”. Desta forma decrescente o corpo começa a morrer devido ao envelhecimento biológico. Assim a morte que é uma realidade que todos enfrentaremos manifestasse muito antes do que imaginamos, isto é no meio da vida do homem. Desta forma vem a ser uma doença que começa a se manifestar no meio da vida do homem e se acentuará na sua velhice levando o a morte física.
Então diante destes fatos o crente pode ficar doente? Pode morrer doente? Observemos alguns personagens bíblicos tiveram doenças sendo grandes homens de Deus.
O profeta Eliseu (2 Reis 13.14a, 20). “Ora Eliseu, estava sofrendo da doença da qual morreria. Então Eliseu morreu e foi sepultado”. Isaque, “Tendo Isaque envelhecido, seus ossos ficaram tão fracos que ele já não podia enxergar”(Gênesis 27.1). Timóteo “Não continue beber somente água; tome também um pouco de vinho, por causa de seu estômago e das freqüentes enfermidades” (I Timóteo 5.23). Porque Paulo sendo seu pai na fé e apóstolo não ministrou a cura para Timóteo?. Trófimo “Erasto permaneceu em Corinto, mas deixou Trófimo doente em Mileto (2 Tm. 4.20). O próprio apóstolo Paulo ficou doente (Gal. 4.13-15), e agora será que ele estava em pecado?. E ainda mais sofria com o espinho na carne (II Cor 12.7-9). E nem podemos esquecer o que Jesus disse: “No mundo, tereis aflições...” (João 16.33). No tanque de Betesda havia vários doentes, mas Jesus só curou um paralitico (João 5.3,8,9), pois Jesus fazia a vontade do Pai (João 8.28,29).
Tudo isto serve para demonstrar que nossa vida está nas mãos de Deus e nada depende de nós neste contexto, pois na vida do crente em Cristo não há acaso, ou destino, mas sim a vontade de Deus como nos diz I João 5.14: “E esta é a confiança que temos nele: se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”. O que não podemos fazer é retirar da palavra de Deus versículos isolados e dizer o que se bem entende. Quando isto acontece surge uma inversão de posições, Deus criador passa a ser criatura, e a criatura se torna criador, colocamos Deus para nos servir, algo que deveríamos fazer. Porém isto não limita o poder do nosso Deus, ELE CURA se quiser, o comando vem dele, aquele que ministra a cura nada mais é um instrumento de Deus e que deve orar sim, para que o doente seja curado (Tiago 5.14), mas sempre no final da oração deve dizer: “seja feita tua vontade”, como nos ensina Jesus em Mateus 6.10.
Os defensores de tal idéia acreditam que se algum cristão está doente é por falta de fé ou possessão demoníaca, porém segundo nos ensina o apóstolo João em sua primeira carta “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não atinge” (5.18). Então precisamos nos render a soberania de Deus pois, o poder está em Deus e não na fé. Seguindo esta linha de pensamento aqueles que pregam a cura é somente pela fé deveria também afirmar que o crente não pode morrer.
Diante destes fatos o que devemos fazer? Voltemos para a Bíblia Sagrada e aprendamos dela sempre como disse o apóstolo Paulo a Timóteo: “Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que julgará todos os seres humanos, tanto os que estiverem vivos como os que estiverem mortos, eu ordeno a você, com toda a firmeza, o seguinte: por causa da vinda de Cristo e do seu Reino, pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência. Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir. Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade para dar atenção às lendas. Mas você, seja moderado em todas as situações. Suporte o sofrimento, faça o trabalho de um pregador do evangelho e cumpra bem o seu dever de servo de Deus”. (II Tm 4.1-5). Nem todos os que dizem pregar a verdade, a pregam-na realmente (Mateus 7.15-23).
Muito claro as palavras do apóstolo João; “Todo que vai além do ensino de Cristo e não permanece nele, não tem a Deus. Quem permanece no ensino, esse tem tanto o Pai como o Filho”. II João 1.9
Diante destas afirmações bíblicas, estejamos atentos a estes falsos ensinos, tendo como exemplo a atitude dos Bereanos que ouvindo a pregação do apóstolo Paulo examinavam diariamente as Escrituras para saber se o ensino de Paulo era correto (Atos 17.11).

Continue crendo no poder de Deus sobre tudo e todos, e aprendamos sempre da Palavra de Deus!!!

Por André Rubinho
Bibliografia

- Bíblia de estudo N.V.I
- Bíblia Sagrada Almeida Século 21
- Bíblia de estudo apologética
- GONDIM, Ricardo. O Evangelho da Nova Era. Abba, S. Paulo, 1993.

- HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. CPAD, Rio, 1996.

- ROMEIRO, Paulo. Super Crentes. Mundo Cristão, S. Paulo, 1993.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Quando a graça é desvalorizada


Certa vez uma chamada de reportagem sobre autoflagelo na TV e de repente apareceu a imagem de um homem pagando promessas de joelho que dizia: “Se Jesus sofreu porque não devemos sofrer”. Esta frase me levou a pensar o quanto a graça de Deus é desconhecida e desvalorizada por muitas pessoas que estão aprisionadas por seus próprios conceitos, que receberam talvez de seus pais, que por sua vez receberam de seus antepassados através de uma religiosidade e desconhecem realmente quem é Jesus.
Porém devemos relevar e perceber que tal conceito equivocado se encontra dentro de muitas igrejas “evangélicas” no Brasil, na qual levam seus membros a serem salvos por Cristo mediante aos seus próprios méritos ou obras e acabam destituindo a graça de Deus. Para entendermos melhor vejamos o significado de graça. A graça é uma palavra latina traduzida do grego Charis, que significa; graciosidade, benevolência, favor ou bondade. Nada mais é do que um presente de Deus para toda a humanidade.
A Bíblia nos diz em Efésios 2.8,9; Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Nada podemos fazer para conquistarmos a salvação por méritos próprios, pois Jesus Cristo já nos presenteou com ela, basta somente recebê-lo como Salvador de nossas vidas e viver uma vida de dedicação ao reino de Deus. Como Paulo nos diz em Tito 2.11; Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens e o Apóstolo João em I João 2.2 nos diz: E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.
Porém este receber Jesus como Salvador não diz respeito a “aceitá-lo” quando convidado a ir à frente da igreja e repetir palavras ditadas pelo pastor ou por alguém. O aceitar a Cristo é no dia a dia através de uma transformação interna e demonstrações exteriores daquilo que ocorreu internamente, e tudo isso devido a ação regeneradora do Espírito Santo. Por isso devemos tomar muito cuidado com aqueles que por muitas vezes dizem ter “aceitado à Cristo” e continuam a viver uma vida desregrada sem ter a Palavra de Deus como direção. Não podemos esquecer dos liberais que se apóiam na graça para pecarem, dizendo “Cristo perdoa todos os nossos pecados, pra que se preocupar?”. Porém o Apóstolo Paulo nos ensina em Romanos 6.1,2: Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?
Mediante a isto devemos entender que Cristo nos deu a liberdade (Galatas 5.1), porém esta liberdade não é para fazer o que queremos, mas o que devemos, isto é, não sujeitar-se ao pecado e fazer a vontade de Deus.
Outra questão absurda sobre a graça é condicioná-la a uma lista de regras que devem ser seguidas de uma maneira que servir a Deus se torna um fardo incarregável e totalmente punitivo. Isso nada mais é que legalismo que condiciona a salvação a fatores externos, como vestimentas, cabelo, não jogar bola, não assistir TV, não ir ao cinema, entre tantas outras coisas. Tudo isso demonstra um desconhecimento total da graça de Deus, que nos mostra que a salvação requer de nós uma continua vida de santificação ao nosso Deus, mas nada disso diz respeito a fatores externos e sim internamente. Vivamos então a verdadeira graça de Deus em todo o tempo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Entrega




Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará. Salmos 37.5

O ser humano por si só vive numa busca constante por sentido na vida e acaba entrando caminhos tortuosos, errados e não encontram sentido em nada. Desta forma o salmista nos ensina como agir na vida.
Neste texto a palavra hebraica traduzida entrega significa “rolar”. No sentido de se desfazer de um fardo colocando sobre algo ou alguém. Como um viajante que ficaria muito tempo distante abaixava o camelo ao chão e rolava sobre ele suas muitas bagagens. O salmista nos chama a atenção a colocar sobre Deus todos os nossos fardos, dificuldades, aquilo que não conseguimos fazer com nossas próprias mãos tendo convicção e certeza que somente ele pode tirar este peso das nossas costas, tanto é que nos enviou e seu próprio filho para carregar o fardo dos nossos pecados para que fossemos livres. O que acontece geralmente é que em muitos momentos não conseguimos pensar e até mesmo agir desta maneira, pois quando nos encontramos em alguma situação delicada na vida logo pensamos; o que fazer agora? É nestes momentos onde parece que não há mais nada a fazer, onde não há respostas para nossos questionamentos que devemos sobrepor os nossos conceitos que acreditamos ser o mais correto e simplesmente nos entregar e colocar nas mãos de Deus nossas impossibilidades. E com todas as nossas forças manter esta atitude em oração em todo tempo. Porém não basta somente colocar sobre Deus os nossos fardos, há uma condicional no texto, confiar. Este ato é como a de um filho na beira de uma piscina que avista o seu pai dentro dela, então se joga, pois sabe que cairá nos braços dele e nada de ruim acontecerá. Confiar em Deus é da mesma forma, se entregue e confie, Ele sabe o que faz e certamente será sempre o melhor para nós. Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai de vocês, que está no céu, dará coisas boas aos que lhe pedirem! (Mateus 7.11 N.T.L.H)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Existe profeta nos dias de hoje?


Antes de respondermos a questão, se faz necessário entender, de forma resumida a definição do termo profeta no Antigo e Novo Testamento; para exatamente exemplificar qual a função dos profetas nos dias de hoje, desmitificando algumas divergências em relação a tal função nos nossos dias.
No Antigo Testamento, existem três vocábulos hebraicos principais para profeta. Começando pelo primeiro termo, navi, que significa o ato de designar alguém como Arauto. Neste sentido o primeiro termo usado para profeta tinha como papel proclamar, anunciar. O primeiro homem a ser chamado de profeta (navi) foi Abraão (Gênesis 20.7) e posteriormente Moisés (Deut 18.15).
O segundo termo hebraico para profeta é ish elohim, homem de Deus. Este termo é mostrado como uma pessoa de confiança de Deus e as pessoas vêem isso na sua vida. Não é um título auto-denominado, onde a pessoa aplica a si mesmo como sendo um homem de Deus, para gloriar-se. Era um reconhecimento das pessoas para com o profeta. A sua apresentação como profeta era seu caráter.
O terceiro termo para profeta é demonstrado por duas palavras ro’eh e hozeh, as duas se intercambiam no uso e ambas tem o sentido de vidente. Todos os profetas eram chamados por Deus para exercer tal função não era uma escolha própria.
Depois de entender o termo profeta no Antigo Testamento, faz-se necessário entender também a função da profecia, antes de descrever a função do profeta no Novo Testamento. Segundo o escritor Gleason Archer, existem quatro funções básicas da profecia entre os hebreus.
1) O profeta tinha a responsabilidade de encorajar o povo de Deus a confiar de forma exclusiva em sua graça e poder. 2) O profeta tinha a responsabilidade de avisar ao povo que sua segurança dependia de fidelidade à aliança. 3) O profeta devia encorajar Israel quanto às coisas futuras. 4) A profecia era autêntica em termos de previsão, quando se cumpria. Todos estes aspectos juntos definiam o profeta no Antigo Testamento.
No Novo Testamento encontramos profetas na Igreja e a profecia é mostrada como sendo um dom. O contexto do Novo Testamento difere do Antigo Testamento e também é diferente até dos nossos dias. Temos um profeta que prediz o que aconteceria com Paulo (At 21.11,12) e depois profetiza uma grave fome no Império Romano (At 11.27-30), mas a base de tudo isto, é: “A igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas” (Ef 2.20), eles eram a voz de Deus naquele momento da igreja. Existe profeta nos dias de hoje? A resposta é sim, mas a voz de Deus hoje é a Bíblia, o profeta então, deve saber interpretá-la e deve saber comunicá-la, nunca ultrapassá-la ou acrescentar mais coisas. Toda e qualquer revelação devem estar igualadas ao ensino das Escrituras. Não deve se pensar que ser profeta nos dias de hoje é igual aos profetas do Antigo Testamento, é bem diferente. O oficio do profeta hoje está abalizado em I Coríntios 14.4b “aquele que profetiza edifica a igreja”, isto é, sendo um edificador da igreja como um todo.
O grande problema nos nossos dias é que o termo “profeta” tem perdido muito o seu significado bíblico dentro de muitas igrejas. Ser profeta hoje é Status, é tido como uma pessoa extremamente especial, de um alto nível de espiritualidade. Mas a questão é que as mensagens proferidas por estes por muitas vezes são “sem pé, nem cabeça”, profetizam coisas óbvias, algo que qualquer pessoa poderia dizer a outrem, não é algo especifico, íntimo em que só a pessoa tem conhecimento. E desta forma são taxados como pessoas espirituais e íntimas com Deus, mas espiritualidade não está ligada ao fato de falar em línguas ou profetizar, mas sim ao fato de ter uma vida de caráter em tudo que se faz, vivendo a Palavra no dia a dia e não somente em momentos específicos.
Outro fator que devemos entender é que ser profeta não é possessão espírita. O profeta é um homem que esta em posse de suas faculdades intelectivas, tem consciência do que está fazendo. Não é possuído por uma entidade fora de si, como se fosse um médium. Ser tomado pelo Espírito Santo não invalida a pessoalidade. “o espírito dos profetas está sujeito ao controle dos profetas; porque Deus não é Deus de desordem, mas sim de paz” (I Cor 14.32-33). Ser um homem de Deus não quer dizer que não é preciso estudar, refletir, amadurecer e crescer de forma espiritual e no estudo teológico.
Outra situação trágica que faz parte de nossa realidade é o culto a personalidade. Os profetas se tornam o centro do culto e a igreja o público, como em um show a espera do astro. Porém o centro do culto deve ser Deus e nada mais (Salmo 100).
Muitas são as nomenclaturas criadas para estas pessoas, como estas que certamente você ouviu alguma vez; O “santo homem de Deus”, “o homem de palavra poderosa”, “o homem cheio de Deus”. Eles enchem as telas da televisão, as rádios divulgando ensinos extra-bíblicos de forma vergonhosa e abusiva. Tudo o que dizem é uma “verdade de Deus”, exaltam a si mesmos e usam sempre a mesma terminologia, “Deus está me dizendo”, quem vai dizer que não, pois se denominam cheios do poder de Deus e os outros são meramente carnais.
É preciso ter cuidado pois, o que mais tem se levantado nestes dias são “falsos profetas” que prometam “mundos e fundos”, usando o nome de Deus, mas não sendo usados por Deus.
O que deve aproveitar de tudo isso, é que se você quer ser um profeta de Deus, que o seja de forma verdadeira, lutando e expressando toda a sua força pregando a “Verdade”, mas qual verdade?, A única e absoluta, A Palavra de Deus, como o apóstolo Paulo disse: “Ai de mim, se não pregar o evangelho” (I Cor 9.16). Seja leal a verdade, pois sua vida é para a glória de Deus e não glória pessoal buscando ser reconhecido (I Cor 10.31). Deixe Deus aparecer na sua vida, e então as igrejas não ficaram cheias de pessoas vazias, mas sim pessoas cheias de Deus e edificadas.

Graça e Paz

Bibliografia utilizada
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Ética dos profetas para hoje. Ed. Êxodus. São Paulo, 1997.
DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. Ed. Vida Nova. São Paulo, 1997.
ARCHER, Gleason L. Junior. Merece confiança o Antigo Testamento?. Ed. Vida Nova. São Paulo, 1984.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Pastores por opção e não por vocação



Pois os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Romanos 11.29

Nos nossos dias temos visto surgir várias denominações e através destas surgem pastores autodenominados, se baseando em revelações e profecias que dizem ser da parte de Deus e assim se encontram fundamentados em suas próprias experiências com Deus, e ai de quem dizer o contrário.
Por isso devemos prestar muita atenção a Palavra de Deus e entender que ser pastor não é simplesmente fazer um curso teológico e exercer tal função, nem tampouco um cabide de emprego para quem está desempregado, nem sequer uma promoção eclesiástica. Ser pastor é uma VOCAÇÂO e não opção. A palavra vocação etimologicamente deriva do verbo latin VOCARE que significa “chamar”. É a tradução do termo “vocatione” que quer dizer chamado, apelo, convite. Isto deixa claro que não é uma escolha feita pela própria pessoa, mas sim uma escolha feita por Deus na eternidade, é um dom divino (Efésios 4.11,12). A Vocação vem a ser o chamado do Pai por meio de Jesus Cristo na força dinamizadora do Espírito Santo.
A problemática é que muitos gostam de ter o “título” de pastor, não para apascentarem as ovelhas; cuidar; alimentar; espantar os lobos; curar as feridas, mas sim com o intuito de coagi-las a agir segundo sua própria vontade de forma autoritária, pois sua palavra tem sempre que prevalecer, por sempre estar “certo” e debaixo da “direção” de Deus, suas palavras são irrevogáveis. E ainda usurpam dos bens dos fiéis como um método de enriquecer. Mas aquele que é vocacionado não vê o ministério como uma forma de obter sucesso pessoal, riquezas, fama, nem reconhecimento, mas como uma forma de proclamar o reino de Deus aquele que precisa ser salvo, e não só salvação para a alma, mas o ser humano como um todo. O verdadeiro pastor vocacionado não age por impulsos, como um ditador, mas sim conduzido pelo Espírito Santo. Não prega a Palavra de Deus como meia verdade, e sim como ela realmente é, não para agradar a homens, mas a Deus. Sempre está pronto a dar a sua vida pelas ovelhas, só pelo simples fato de seu coração estar repleto de amor e compaixão, até mesmo com a ovelha mais problemática e rebelde.
Por isso devemos estar vacinados contra falsos pastores que tem surgido, ensinando absurdos, usando a Palavra como pretexto para aquilo que querem disseminar, sem tampouco terem a vocação de Deus.

Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. 2 Pedro 1.10

Pr. André Rubinho

Sola Scriptura

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Deus me disse!!!



Em muitos momentos e frequentemente ouço esta frase “Deus me disse para te dizer isso....”, “estava orando e Deus falou comigo”. O Problema é que esta frase utilizada por muitas pessoas no meio evangélico tem sido utilizada de forma pejorativa, no sentido de manipular as pessoas e direcioná-las por caminhos que na maioria das vezes Deus não tem nada a ver com a história. Sendo assim não são usadas por Deus, mas usam Deus.
Desejam ser o centro das atenções, para demonstrar a quanto são “espirituais”. Quando dizem “Deus me disse” por várias vezes parecem que ouviram Deus falar de forma tão audível que aqueles que ouvem se sentem reprimidos a cumprir tal requisito de Deus de forma irrevogável. Certamente não podemos deixar de relevar que uma experiência com Deus é pessoal e somente aquele que a tem compete dizer de forma verdadeira ou usar do “Deus me disse” como um meio para um fim, porém esta experiência pessoal nunca pode estar acima da Palavra de Deus, antes essa deve ser julgada por ela e se estiver além da doutrina bíblica deve ser rejeitada (I I João 1.9).
Por isso aquele que “recebe” uma palavra de alguma pessoa dizendo ser Deus quem disse, deve ser analisada e principlmente julgada, pois a Palavra de Deus é nossa regra de fé e conduta. Tais pessoas se consideram profetas como eram os profetas no Antigo Testamento, porém o ministério profético durou até João Batista (MT. 11.13), nos nossos dias existem profetas como ministros da Palavra de Deus que é maior e perfeita profecia já existente , e aqueles que possuem o dom da profecia.
O escritor de Hebreus nos deixa claro está questão: “Antigamente, por meio dos profetas, Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras aos nossos antepassados, mas nestes últimos tempos ele nos falou por meio do seu Filho. Foi ele quem Deus escolheu para possuir todas as coisas e foi por meio dele que Deus criou o Universo”. (1.1,2.)
Por isso a nossa base como igreja de Deus deve estar alicerçada em Efésios 2.20: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra de esquina”.
Então não perca tempo deixando ser manipulado por profecias sem fundamento e óbvias demais, é necessário crescermos e nos tornarmos maduros o suficiente para entendermos que Deus não quer simplesmente que ouçamos sua Palavra nos cultos de final de semana, e sim que a coloquemos em prática como nos ensina Tiago em sua carta: “Sede praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos”
(1.22).


Soli Scriptura.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Raul Seixas e a Bíblia



POR:
Luiz Sayão

É fato conhecido que um dos pioneiros do rock nacional, que fez muito sucesso há cerca de três décadas, foi o controvertido Raul Seixas. Numa mistura de protesto e busca por respostas para a vida, o conhecido “Raulzito” causou a mais diversificada reação em todo o país.

Pouca gente sabe que o falecido roqueiro conheceu o Evangelho de Cristo. Chegou até mesmo a ter um filho com sua primeira companheira, que era filha de um missionário norte-americano. Todavia, a perspectiva panteísta e agnóstica de Raul Seixas mostrou que o famoso cantor não abriu o coração para a mensagem do Evangelho. Sua morte não deixa dúvidas sobre isso!

Por incrível que pareça, se Raul Seixas não se deixou influenciar pelas boas novas de Jesus, parece-me que suas idéias estão cada vez mais presentes na realidade evangélica contemporânea. Será possível que estamos caminhando para uma “teologia do Raul Seixas”? Será que teremos um evangelho “maluco beleza”? O amigo leitor pode dar sua própria opinião.

Enquanto as Escrituras deixam claro que existe apenas um Deus verdadeiro, que está acima de sua criação (Is 44.6; Rm 1.18-21), a perspectiva panteísta aparece expressa na música “Gita”, de Raul. Ele afirmava: “Eu sou a luz das estrelas / A mãe, o pai e o avô / O filho que ainda não veio / O início, o fim e o meio.” Este enfoque tenta tirar de Deus a glória que só Ele tem e merece. De modo geral, o panteísmo que deifica a natureza acaba definindo como categoria suprema o fluxo do movimento. Heráclito sorriria no túmulo. Tais idéias, muito presentes nos filmes norte-americanos mais populares, parecem emergir do conceito de que Deus é uma energia, “um fluir” (unção?). Em certos redutos evangélicos já se pode perceber que Deus se tornou “um poder manipulável” por “comandos determinadores”. Além disso, o enfoque da teologia do processo, que já nos influencia com todos os seus desdobramentos específicos, também diminui Deus e o coloca sob o domínio do “fluxo do tempo”, sugerindo que Ele é apenas nosso sócio na construção da história.

METAMORFOSE AMBULANTE

A idéia da supremacia do fluxo do tempo desemboca na rejeição de outras categorias fixas. A única categoria é o próprio tempo, o novo senhor absoluto. Com esse pressuposto, já não podemos ter teologia e ética definidas e claras. Embora a Bíblia seja um livro de orientações muito cristalinas sobre Deus, a salvação e o propósito da vida (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.19-21), para muitos evangélicos, a teologia “maluco beleza” é preferível. Como diria Raul: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” Se uma opinião for antiga, deve ser rejeitada! Há uma crise doutrinária e teológica em boa parte do meio evangélico. Muitas pessoas adotam hoje idéias liberais, místicas e extremistas sem a devida avaliação. Nesse caso, não importa sua fundamentação teológica, histórica e lógica. Viva a metamorfose!

Tal sensação de indefinição, presente no pensamento do roqueiro tupiniquim, ajudou a formar seu perfil estranho, controvertido e até mesmo bizarro. Não é que um grupo significativo de evangélicos também já tem se aproximado do esdrúxulo?! Há um certo desprezo pela reflexão, pela teologia, e o crescimento de práticas risíveis e simplesmente inacreditáveis. Será que podemos ouvir o eco da música de Raul ao contemplar grande parte do chamado meio evangélico atual? Será que estamos diante do “Contemplando a minha maluquez / Misturada com minha lucidez”? Até onde vai a nossa “maluquez”? Será que voltaremos à lucidez? Será que muitas reuniões religiosas de hoje estão nos deixando, “com certeza, maluco beleza”? Espero que essa sensação seja um exagero! Todavia, temo que não seja!

Não faz tanto tempo assim, os cristãos evangélicos entendiam que um culto de adoração a Deus tinha, de fato, Deus como o centro do culto. Muitos cânticos tinham letra elaborada, teologia saudável e enfatizavam os atributos e os atos de Deus. No entanto, em algumas reuniões dominicais de hoje, temo que o foco esteja sendo mudado. Novas canções falam de um amor quase romântico e indefinido, divertem a massa, exaltam unção, montanhas, Jerusalém, guerra etc. O conceito de dedicar o domingo para uma diversão sem propósito e finalidade bíblica é manifesta na teologia do Raul Seixas. Como ele mesmo dizia: “Eu devia estar contente pelo Senhor ter me concedido o domingo para ir ao jardim zoológico dar pipocas aos macacos”. Será que já podemos observar “uma fauna evangélica com suas macaquices litúrgicas”? Tomara que não! Espero que tudo que escrevo não passe de uma análise exagerada! Todavia, temo que não.

Como todo enfoque teológico, o pensamento do “teólogo-músico pós-ortodoxo” nacional, também possui as suas decorrências de ordem prática. Não há como fugir da realidade. A forma de pensar e ver o mundo influencia e determina a vida prática de qualquer pessoa. A verdade é que se adotarmos uma base panteísta, um pensamento relativista, uma ética indefinida e práticas místicas emocionalistas sem conteúdo, não chegaremos a lugar nenhum. E não é que o “grande teólogo-roqueiro” já sabia disso! Quem pode lembrar de sua “perspectiva teleológica” que determinou seu trágico fim? “Este caminho que eu mesmo escolhi / É tão fácil seguir/ Por não ter onde ir.”

Se a igreja evangélica brasileira desvalorizar a doutrina bíblica, desprezar a teologia, deixar de lado a ética e afundar-se no misticismo e nas novidades ideológicas frágeis, logo ela descobrirá que esse é um caminho “tão fácil de seguir”. O grande problema é que no final das contas “não teremos para onde ir”.

Mais do que nunca, precisamos desesperadamente voltar nossa atenção para as Escrituras Sagradas, com o verdadeiro desejo de obedecer a Deus e à sua verdade. Que Deus nos abençoe.